terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Doa a quem doer

Quando ao acaso
ouvi Alegria, Alegria do Caetano
senti um nó atar a garganta
e uma lágrima de emoção
se pendurar no canto direito
de um dos meus olhos
meu sangue ferveu
meu peito inflou
nesse momento
pensei que não há no mundo
melhor lugar que minha terra
independente do que fazem
os homens de pouco caráter
indignos de pisar a terra maravilhosa
que chamamos Brasil
sou filho desse chão
doa a quem doer
e isso jamais vai mudar.

Wilian Jañez

Gole de vida

  A quem prefira beber a vida em um gole apenas, como quem tem presa, dá logo aquele gole exagerado de vida, aquele gole que estufa as bochechas e ameaça espirrar pelo bico dos lábios.

  Eu não! Prefiro beber a vida com calma, independente de qual seja o gosto que a vida me reserva. Os goles que a vida nos trás são diversos, é uma riqueza absurda de aromas e gostos e por isso devemos aprecia-los com calma, sem presa, caso contrário a vida se zanga com essa desatenção sem porquê e é nesse momento que muitos acabam por se engasgar.

  Com os olhos cerrados gosto de sentir o aroma, depois um gole modesto e então sinto a vida timidamente me preencher a boca, sinto minha língua se encharcar e percebo esse liquido de vida sendo desvendado pelo meu paladar, dentro da minha boca o atiro de um lado para o outro e o noto com atenção o gosto que nesse gole a vida tem, em seguida depois de gozar todo esse momento engulo.

  Quem bebe a vida com presa acaba notando o gole de aroma forte e gosto amargo tarde demais e então lá vem o engasgo, e se não há ninguém por perto que te bata as costas pode ser tarde demais.

Wilian Jañez

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu luto

Quem luta para mudar o mundo
da mesma forma que os que não lutam
um dia morre e deixa de lutar

Não sei o que vou deixar para o mundo!
Apenas não quero levar comigo
a culpa por não ter lutado.

Wilian Jañez

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Culpa

Quando minha bisavó
foi internada em um asilo
para mais tarde
morrer de tristeza
não foi culpa
da minha avó
que precisava viver a vida
muito menos de sua irmã
que não teve outra opção
a culpa foi toda dela que acabou
ficando velha demais.

Wilian Jañez

Mentira

O Câncer mata
A AIDS mata
A Cólera mata
A Dengue mata
A Malária mata
A Hepatite mata
A Cirrose mata
A Leucemia mata
A Beribéri mata
A Lúpus mata
A Anorexia mata
E a mentira assassina.

Wilian Jañez

Drummond

Quando meu pai encontra
uma pedra no meio do caminho
ele desvia
meu irmão salta
eu chuto
e Drummond faz poesia.

Wilian Jañez

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Qualquer um

Aquele rapaz na cama do hospital
anestesiado, drogado, dopado
todo mijado
sem controle da própria bexiga
com o pé costurado
mulheres estranhas lhe vendo pelado
com dificuldade para ficar acordado
falando enrolado
com o estômago embrulhado
sem poder andar
e totalmente pálido
querendo ir pra casa
cansado de ficar deitado...

Aquele rapaz era eu,
mas poderia ser você também

Wilian Jañez

Arte

Quando é dia
a arte é o sol
depois da janela
se o dia for nublado
a arte é a espera
mas se já é noite
a arte é a lua
se for noite sem lua
a arte é o breu
e se vejo nada
então a arte sou eu

Wilian Jañez

Maria Terezinha

Neste exato momento
Estou penetrando bem fundo
O meu olhar no teu
Tentando a todo custo
Ver além do brilho
Tão intenso de seus olhos
E chegar no âmago da tua alma
Pois sei muito bem
Que detrás dessa armadura
Existe um homem
M A R A V I L H O S O...

Por Maria Terezinha de Araújo da Silva

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Helena Rainha de Deus

Sei que mais ao sul do meu país
próximo de onde termina minha terra
tem Helena
Não é Helena rainha de Tróia
com toda tua beleza
pode ser Helena rainha
do que quiser
Helena rainha do sul da minha terra
de todo o resto que te cerca
tem os cabelos mais lindos
que uma rainha deve ter
tem belos olhos que escondem segredos
seriam olhos de fera
se não fossem olhos
de rainha da minha terra
tem um sorriso vasto
rico sorriso
bem maior que meu país
e tudo mais que me rodeia
sorriso daqueles
que preenche o dia
tem a pele mais linda
que uma rainha deve ter
não existe nada maior e mais puro
que a beleza de Helena minha rainha
é beleza imensa
infinita beleza
as vezes me vejo escravo
servo de tamanha imagem
É tanta a beleza de Helena minha rainha
que as vezes acho que não
é ela Helena rainha dos homens
essa de que falo só pode ser
Helena rainha de Deus

Wilian Jañez

Criação humana

Deus inventou o homem
que inventou o sexo
para se reinventar
não satisfeito
inventou o amor
para poder
se reencontrar com Deus.

Wilian Jañez

sábado, 4 de dezembro de 2010

Mocidade Pequenina F.C.


  Essa manhã sonhei com o time que eu jogava bola quando criança, no sonho tudo era perfeito de novo eu corria como nunca, e tinham meus amigos da época alguns eu nunca mais encontrei, porem após o sonho entendi que sinto saudade.
  Tinha o Robson, o Andinho, o Lê, meu irmão (Walace) e muitos outros, tinha meu pai (Valmir) e o Israel comandando a pelada na beira do campo, os pais atrás dos gols, os carros parados próximo a mata e era um lindo dia de sol e como eu corria, eu corria muito, corria como criança que era na época, e não era um simples correr, era um correr de quem tem liberdade, de quem corre de alegria.
  Foi um sonho tão forte e real que quando minha namorada abriu a porta do quarto e eu despertei do sonho, ao lembra-lo eu chorei de alegria e saudade daquelas pessoas que na época eram minha família, mas não foi um simples chorar, eu chorei como criança mais uma vez.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Muito Estranho (Cuida Bem de Mim)


Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho

Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco

Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho

Minha cara prá que
Tantos planos
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos

Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto

Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho

Cláudio Rabello e Dalto

Nando Reis mandou muito bem aqui! Linda música...


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Menina Cega

Como pode dizer
ter perdido a beleza
tua beleza é tua
e jamais partirá de ti
Nem o tempo saberá
levar tua beleza
Não fale assim
deste jeito Deus se zanga
Tem os olhos
o pau do nariz
junto com as narinas
os lábios casam com o queijo
e tudo encaixa perfeitamente
sem falar nestes cabelos de índia
Tua beleza é forte
mas não menos doce e meiga
Só falta pendurar um sorriso
e então tua beleza ficaria perfeita
Quando olha o espelho
e diz não encontrar beleza
saiba que não perdeu a beleza
na verdade o que
você perdeu foi a visão.

Wilian Jañez

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lágrima Carioca


Uma gota de chuva
caiu em meu rosto
rolou até minha boca
e dominada pelo meu paladar
notei que não era chuva
era gota salgada
era gota amarga
aquela gota era lágrima
e entendi que a cidade 
não chovia
de tristeza e desespero
a cidade chorava

Wilian Jañez

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Simples assim


Uma noite, um velho índio contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece todos os dias dentro das pessoas.
Ele disse: - Meu filho, a batalha é entre dois lobos dentro de todos nós.
Um é mau: é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, a superioridade.
O outro é bom: é a alegria, a paz, a esperança, a serenidade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.
O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô: - Qual o lobo que vence? O velho simplesmente respondeu:
- O que tu alimentas.

Marias

Maria é nome bom
é nome de santa
é nome também de mulher
de muitos homens
Tem Maria que é das dores
outras são cheias de graça
Maria já foi o grande
amor de um rei
tem Maria que é filha
da eterna voz
Algumas Marias
preferem ir com as outras,
odeiam andar sozinhas
Existem as aparecidas,
também pudera,
pois como são lindas
essas Marias
e exceto a que é mãe
toda Maria é filha de Deus.

Wilian Jañez

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Gabriela

Não peça que eu te escreva
de você sei apenas o pouco que vejo,
o quase nada que você
se permite me mostrar
E nem sei se o que vejo é real,
se é de fato o que vêem aqueles
que você permite te olhar sem pudor
Mesmo assim,
um pouco atrevido e tímido,
arrisco te escrever
e te escrevo absoluta doçura
como fosse eterna alegria
Dentro do pouco que sei
sei que nem ao fim da vida
terá perdido o sorriso vasto
o semblante de branca paz
Já tendo idade de mulher
tua maior graça é o jeito de menina
Não deixe as voltas que a vida dá
levarem tua beleza imensa
De ti quero carregar sempre
o lindo sorriso que me invade
quase todas as manhãs
jamais quero esquecer
da menina que ri das verdades
que em tom de brincadeira
eu insisto em mentir.

Wilian Jañez

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tayra e os poetas


Senhor,
já que levastes para perto
de ti
aquela
que amava os poetas
e seus escritos pendurava
em cordéis
pelas praças
pelas ruas
Delega-lhe a função
de pendurar poemas
no
céu,
Senhor.
Outra coisa,
Senhor,
quem colocará no varal:
os nossos sonhos
as nossas iras
as nossas dores
derretidas em versos,
já que levastes
Tayra
e
Wãpurã.*
Senhor
tens a mania
de responder
apenas em silencios
enquanto sangra
os nossos corações

* Wãpura, meu filho de 24 anos que se encantou no dia 25 de setembro de 2010

Cicero Gomes

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Jorginho - Sérgio Vaz



Jorginho ainda não nasceu
esta escondido com medo
no ventre da mãe
quando chegar não vai encontrar pai
que saiu pra trabalhar
e nunca mais voltou pra jantar
no barraco em que vai morar cabem dois
mais é com dez que vai ficar
sem ter o que mastigar
nem leite pra beber
vai ter a barriga inchada
mas sem nada pra cagar
não vai pra escola
não vai ler nem escrever
vai cheirar cola
pedir esmola pra sobreviver
não vai ter sossego
nao vai brincar
não vai ter emprego
vai camelar
menor carente
vai ser infrator
com voto de louvor deliquente
não vai ter páscoa
não vai ter natal
se for esperto se mata
com o cordão umbilical.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

De mãos vazias partimos

Os três últimos desejos de Alexandre, O Grande

Quando à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus três últimos desejos:

1. Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2. Que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);
3. Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1. Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte;
2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O tempo dos homens

O tempo dos homens é feito de pedra,
É feito de carne, de sangue, de dor,
O tempo dos homens é feito de tempo
Que é tempo sem tempo, sem luz, sem amor.

Trezentos e sessenta e cinco dias,
Seis horas,
Uns tantos minutos
E segundos,
Leva o mundo
Para girar girando em torno ao sol,
Em sucessão de
Primavera, Verão, Outono, Inverno,
Sol e Sombra,
Noite e Dia.
Eterna imperturbável harmonia.

Os homens não cansam, não param, não dobram,
Comendo, comendo, sem ver, sem olhar,
Os homens não pensam, não falam, não dormem,
No tempo sem tempo do tempo a passar.

Ildásio Tavares

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Agreste


Que esta pele
agreste e morena
sempre esteja presente
ao meu toque
Que teu sorriso vasto
jamais se afaste
dos meus olhos
Assim como os bicos
dos teus seios
morros desta terra
por mim jamais habitada
nunca abandone o roçar
da minha língua
Que teu ventre
seja campo de caça
para eu sempre
me nutrir da carne
umedecida pelo suor
da saliva a me
inundar a boca
Que teus sons
jamais se mostrem
ausentes aos meus ouvidos
Que teu corpo
jamais viva em outro
corpo que não o meu.

Wilian Jañez

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Carne


A carne mais barata do mercado é a carne negra?
Não seria a carne pobre?
Seria a carne negra também carne pobre?
Sempre pobre ou quase sempre pobre?
Não seria a carne pobre também carne negra?
Sempre negra ou quase sempre negra?

Sendo assim, posso considerar que 
a carne mais cara do mercado é a carne branca?
Não seria a carne rica?
Seria a carne branca também carne rica?
Sempre rica ou quase sempre rica?
Não seria a carne rica também carne branca?
Sempre branca ou quase sempre branca?

Não seria isso tudo uma grande bobagem?

A carne é sempre é a mesma carne vermelha
o que muda é o pensamento.

Wilian Jañez

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Manhã na cidade

Passa carro, passa rápido sem parar
quando para, é no sinal,
mas acelera quer logo continuar
lá vem o menino, levanta o vidro
para não incomodar
se tem trocado compra bala
para o hálito de cigarro espantar
abril sinal, arranca rápido
para o tempo perdido recuperar
voa ave, fica árvore
corre o vento, para o lago encrespar
passa o carro apresado, sem nada notar
de tanta presa logo cedo, cansado já está
quer logo ir para casa, dormir e descansar
amanhã acordar cedo e tudo recomeçar

Passa carro, passa rápido sem parar...

Wilian Jañez

Curta Saraus

  Desde sempre a periferia possui uma grande carência artística e cultural, como se a arte e a cultura só acontecessem no centro da cidade. De alguns anos pra cá começaram a surgir na periferia de São Paulo espaços dedicados a arte e cultura, como na periferia uma das poucas opções de lazer é o bar, boa parte desses encontros dedicados a arte e a cultura acontecem em bares.

 Hoje esses encontros já são realidade e estão tomando cada vez mais força, a periferia mostra ter descoberto que a arte e cultura não possui endereço, basta que se tenha vontade e da tua vontade ambas despertam e hoje diversos artistas publicam seus trabalhos para o mundo e a periferia mostra que esta viva e tem muito a dizer.

  Um exemplo desses grupos é o Cooperifa, criado pelo poeta Sérgio Vaz e alguns amigos hoje possui muitos frequentadores e vem ganhando cada vez mais força.

  Foi lançado recentemente um curta contando exatamente o que acontece nesses encontros indico a vocês.


Segue o trailer do curta...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Do corpo cansado

Estou cansado!
Hoje estou cansado do dia,
da tarde que tarda a passar
e estou cansado da noite
mesmo antes dela chegar
e sendo assim
não sei quando vou descansar
Pode ser que mais tarde
quando todos calam
eu descanse o peito
em um desabafo
e de peito vazio quem sabe
eu descanse o meu corpo,
mas só por algumas horas
pois sou muito moço
para o descanso exagerado
Talvez de peito vazio
meu corpo não precise descansar
ou quem sabe
um corpo de peito vazio
careça de coisas que lhe complete,
e assim esse meu corpo
se mostre em uma busca
aflita e sem rigor,
basta apenas que seja algo
que preencha um peito vazio
de um corpo cansado
e mais tarde quando o peito
já se encontre repleto
esse meu corpo há de saber
que boa parte dessas coisas
não lhe tem valor
e de peito carregado
e corpo mais cansado
é provável que eu
procure descanso,
mas confesso que eu
não sei como descansar um corpo
de peito tão carregado
de coisas que eu não sei pra quê.

Wilian Jañez

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Da Paz - Marcelino Freire



Eu não sou da paz.
Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma não, senhor. Não solto pomba nenhuma não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.
Uma desgraça.
Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?
Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.
Não vou.
A paz é perda de tempo.
E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.
A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente.
Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.
Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou.
Não vou.
Sabe de uma coisa: eles que se lasquem.
É.
Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?
Hein?
Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, muito menos ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Uma dor.
Dor. Dor. Dor.
Dor.
A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. Mas a paz é que é culpada. Sabe?
A paz é que não deixa.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Céu de Gustavo

  Gustavo olhava para o céu, ele parou tudo que estávamos fazendo e olhava para o céu, ele não se importava mais com as pessoas, com os bichos do galinheiro, nem com os porcos e muito menos com os adoráveis coelhos, ele havia abandonado tudo e apenas olhava para o céu, e como se desejasse que ficasse claro o que fazia ele me disse "Estou vendo o céu".

  Gustavo se dizia bravo, porém muito rápido entendi que Gustavo era apenas doçura, lhe propus ser meu amigo e ele aceitou, assim passamos a ser amigos. Gustavo brincava com as demais crianças quando eu perguntei se ele poderia me mostrar os bichos do lar e escola agrícola que ele vivia e prontamente ele abandonou a brincadeira, calçou seus chinelos de menino de 4 anos, me tomou pela mão e começamos a caminhar até os bichos. Gustavo me conduzia em nossa caminhada com muita segurança incomum para a sua idade, a vida já havia lhe ensinado a ser forte.

  Caminhávamos e Gustavo gritava "Vamos ver os porcos! Vamos ver os porcos!" e eu perguntava por que ele era tão bravo e ele como se tivesse sido desmascarado pela minha pergunta, com uma voz doce e encabulada dizia "Más eu não sou bravo" e eu desafiando aquela pequena pessoa perguntava mais, e perguntei por que então ele gritava e com a mesma voz doce e encabulada ele me respondeu que não sabia por que. Era claro que mesmo tão novo ele não sabia o por que de muitas coisas na sua vida, não sabia se era merecedor e muito menos se eram justas as coisas que lhe aconteciam, porém sua vida era da forma que era e ele era doce e encantador dessa maneira.

  Olhava-mos os bichos, Gustavo me mostrou os porcos, depois os coelhos, as galinhas, perus, patos, pintinhos... Então Gustavo parou colocou suas mãos em volta dos olhos para proteger da claridade e olhou para o céu.

  Gustavo olhava para o céu, ele parou tudo que estávamos fazendo e olhava para o céu, ele não se importava mais com as pessoas, com os bichos do galinheiro, nem com os porcos e muito menos com os adoráveis coelhos, ele havia abandonado tudo e apenas olhava para o céu, e como se desejasse que ficasse claro o que fazia ele me disse "Estou vendo o céu" e então eu passei a olhar para o céu e era um céu cinza de dia frio e nublado, era um céu carregado, pesado, triste porém havia muita beleza naquele céu, e eu me sentindo tão pequeno na frente daquele menino não entendia como apenas a uns 40 km da minha casa encontrava um céu tão diferente do que estava acostumado a ver, era um céu bonito.

  Assim conheci Gustavo e fui embora do lar onde ele vive com as outras crianças fascinado e seduzido pelo céu que Gustavo havia me mostrado e agora sinto vontade de mais uma vez olhar para o céu de Gustavo.

Wilian Jañez

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Coisas que sabemos

Quando perguntam
não perguntam das noites em claro,
dos dias perdidos de amor,
das horas escorrendo pela pele,
pois eles não sabem
das coisas que sabemos,
você e eu.

Não sabem da cor, do gosto
e nem mesmo do odor que a pele tem,
não sabem das risadas,
dos gemidos, dos sussurros,
assim como nossos olhos
cerrados também não sabem
das coisas que sabemos,
você e eu.

Não sabem do calor,
dos dentes e nem mesmo dos lábios,
não sabem das línguas
nem do balé que elas fazem,
não sabem das mãos inquietas,
não sabem das unhas na carne
assim como os corpos cansados
já não fazem questão
de saber das coisas que sabemos,
você e eu.

Wilian Jañez

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O que é a vida?


Sabe o que é a vida Wilian?
- Claro que sei!
O que é a vida?
- A vida é qualquer coisa que eu não sei explicar...

Wilian Jañez

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Voz no pensamento

Todas as vezes que penso
ouço uma voz dentro da minha cabeça
vez ou outra passo a pensar
sobre o que seria essa voz
as vezes imagino
que as coisas que eu penso
não nascem de mim mesmo
são apenas pensamentos
dessa voz que vive
no meu pensar
ou quem sabe essa voz
seja apenas a voz do meu pensamento

Em algumas das vezes que penso nisso
resolvo perguntar para outras pessoas
que pensam como eu
se dentro de suas cabeças
também existe uma voz
que parece falar com elas
mas a voz que habita minha mente
logo passa a me falar
sobre outros pensamentos
e eu acabo esquecendo de executar
o que antes havia pensado

Quando os pensamentos não são bons
eu calo a voz com a mesma voz
me falando sobre outras coisas
e nesse momento penso
que independente do que seja essa voz
e independente dos pensamentos
que essa voz sopre na minha cabeça
desejo muito que a voz no meu pensamento
jamais deixe de me falar
sobre as coisas que ela pensa
ou quem sabe sobre as coisas
que eu mesmo penso.

Wilian Jañez

Perfume bom

Um dia eu estava no ônibus
cotovelo apoiado na janela,
a mão aparando a cabeça cansada
e os olhos fechados
como quem procura descanso

Veio uma mulher
e se sentou ao meu lado
tinha certeza que era uma mulher
pois apenas uma mulher
usaria um perfume tão bom
como aquele que ela usava

Segui com os olhos fechados
eu tinha medo de abrir meus olhos
e descobrir que aquela mulher
não era tão bonita
quanto seu perfume era bom,
pois em seguida eu poderia
pensar um pouco melhor e concluir
que aquele perfume nem era tão bom assim

Wilian Jañez

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Saudade de pipa

Durante meus anos de brincadeiras
tive muitas pipas
pipas brancas, amarelas
e algumas quase pretas,
pequenas, grandes
e algumas nem pequenas
e nem grandes,
algumas muito bonitas
e outras nem tanto

Foram muitas as pipas que eu tive
de várias cores, tamanhos e belezas diferentes
entre todas elas existe uma pipa
que hoje me causa saudade
não pela cor ou pelo tamanho que ela tem
muito menos pela beleza que ela possuí
e sim pelas coisas gostosas que aconteciam
quando ela estando ligada a mim
alçava sobre meu desesperado corpo seu vôo de pipa

Wilian Jañez

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Filme - A Máquina

Esse final de semana assisti A Máquina, ótimo filme muito gostoso de assistir, sem falar que tem o grande e imortal Paulo Autran no elenco. Mariana Ximenes também está no elenco, e nesse filme ela mostra quanto talentosa é. Quem conhece a moça pelas novelas, não sabe o quanto talentosa é, quase irreconhecível.

Recomendo o filme, abaixo segue um trecho... Apenas para dar água na boca...

Se não amor

Se não é amor o que tenho pra te dar,
jamais viria até aqui com a intenção de algo te entregar.

Se me vejo na obrigação de algo te deixar,
o que mais poderia te dar?

Se o que apenas tenho é amor,
se o que apenas faço é amar.

Wilian Jañez

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caso pluvioso




A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que Maria é que chovia.
A chuva era Maria. E cada pingo
de Maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.
Eu era todo barro, sem verdura...
Maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.
Era chuva fininha e chuva grossa,
matinal e noturna, ativa...Nossa!

Não me chovas, Maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!

Eu lhe dizia em vão - pois que Maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,

que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.
Chuvadeira Maria, chuvadonha,
chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!

Eu lhe gritava: Pára! e ela chovendo,
poças dágua gelada ia tecendo.
Choveu tanto Maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa

e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.
E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de Maria mais chuvavam,

de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,
e eis o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.

Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando
contra essa chuva estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).

Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas dágua mais deliram,
e Maria, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.

Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,
e Maria chovendo. Eis que a essa altura,
delida e fluida a humana enfibratura,

e a terra não sofrendo tal chuvência,
comoveu-se a Divina Providência,
e Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, Maria! - e ela parou.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tem Que Acontecer

Não fui eu nem Deus não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida é pra perder
Tem que acontecer
Tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor é solidão
Se um vai perder outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida e ninguém vai mudar

Eu daria tudo

Pra não ver você cansada
Pra não ver você calada
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor

Eu daria tudo

Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arreada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou um compositor popular

Sérgio Sampaio


Pouco conhecido, porém um grande compositor.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Alma nova

Sempre que te vejo assim
Linda, nua
E um pouco nervosa
Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí...

E eu digo

Calma alma minha
Calminha!
Ainda não é hora
De partir...

Então ficamos

Minha alma e eu
Olhando o corpo teu
Sem entender...
Como é que a alma
Entra nessa história
Afinal o amor
É tão carnal...
Eu bem que tento
Tento entender
Mas a minha alma
Não quer nem saber
Só quer entrar em você
Como tantas vezes
Já me viu fazer...

E eu digo

Calma alma minha
Calminha!
Você tem muito
Que aprender...

Zeca Baleiro e Fernando Abreu



sábado, 4 de setembro de 2010

2 anos

Hoje esse blog completa 2 anos de vida e infelizmente hoje eu não tenho nada a dizer... Mas para não passar em branco vou compartilhar um pensamento com vocês.

Arte é tudo aquilo
que um homem faz
com o propósito de tornar
a vida algo tolerante.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

100 anos tem meu coração

  O dia de hoje será dedicado unica e exclusivamente a uma das, ou quem sabe, a minha MAIOR PAIXÃO.

SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

  Apesar dos meus 24 anos de idade hoje meu coração completa 100 anos de vida. Ao falar sobre o orgulho corinthiano não falo dos títulos, pois o corinthiano não vive de vitórias nós vivemos apenas de CORINTHIANS e nada mais, não me valeria de nada ter a melhor estrutura do mundo e todos os títulos possíveis se eu não tivesse o CORINTHIANS.

  Neto de corinthiano, filho de corinthiano, sobrinho de corinthiano e etc. Sinceramente? Eu não tive culpa alguma, eu nasci desse jeito, não saberia ser de outra forma, bem ou mal eu sou assim. Ser CORINTHIANS não é uma prática ou uma opção, ser CORINTHIANS é uma doença, no meu caso eu já nasci doente, algumas pessoas são contaminadas ao decorrer da vida, mas são raros casos.

  Não importa o que aconteça com a equipe nós estaremos lá, pois não somos um simples torcida, nós somos o próprio time. 12º jogador que jamais se viu, somos a FIEL TORCIDA.

SOMOS CORINTHIANS !

Ouça a essa narração, é de arrepiar.


Isso é ser CORINTHIANS...


E claro, como não poderia faltar, segue algo que eu escrevi pro meu CORINTHIANS...

Por ti Corinthians

Serei por ti na alegria ou na tristeza
na chama sempre acesa
da fiel que nunca apaga
na arquibancada
da minha voz farei tua raça
do meu canto tua graça,
pois meu grito ninguém cala
és minha alegria
e minha tristeza,
porem afirmo com certeza
vou te acompanhar aonde seja,
pois sou fiel e minha torcida ninguém para.



Um dos vídeos mais emocionantes sobre o CORINTHIANS. Me arrepia até a alma...



E para finalizar gostaria apenas de dizer...

EU  SOCORINTHIAN!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O menino no buraco do tatu

O menino queria morar no buraco do tatu
A mãe disse que ele era muito grande
para morar no buraco do tatu
Então o menino disse que queria ter o tamanho do tatu
Mas segundo sua mãe
um menino não poderia ter o tamanho do tatu.

O menino seguiu a vida
crescendo cada vez mais
e cada vez mais ficava maior que o tatu
Até que um dia o menino conheceu as palavras
e logo entendeu o poder que só as palavras nos dá.

Nesse mesmo dia o menino ficou do tamanho do tatu,
foi morar no seu buraco
e disse que só sairia do buraco do tatu
quando sentisse vontade de voar como o pardal.

Wilian Jañez

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Menino que Carregava Água na Peneira

Eu tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que o do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira,

com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviço, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos

Manoel de Barros

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Homem que Amava as Mulheres

Trecho do filme O Homem que Amava as Mulheres, muito bom adoro esse tipo de coisa! rs



Para mim não existe nada mais bonito de se ver do que uma mulher andando, desde que com um vestido ou saia que mexa no ritmo de seus passos. Algumas mulheres andam como se tivessem um objetivo; um encontro talvez. Outras apenas passeiam com ar despreocupado. Algumas são tão belas vistas por trás que hesito em ultrapassá-las, temendo ficar decepcionado. Porém, nunca me desaponto. Quando elas não me agradam de frente, me sinto aliviado de certa maneira; pois, infelizmente, não posso ter todas elas.

Milhares delas andam pelas ruas diariamente. Mas quem são todas essas mulheres? Para onde vão? Dirigem-se a algum encontro? Se o coração delas está livre, então seus corpos devem ser pegos, e creio que não tenho o direito de deixar passar essa chance. A verdade é que elas desejam a mesma coisa que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor. Todos os tipos de amor: amor físico, amor sentimental ou simplesmente a ternura desinteressada de alguém que escolheu outro alguém para a vida toda, e não tem olhos para mais ninguém. Não me encontro nessa situação; olho para todas.

Como alguns animais, as mulheres praticam a hibernação. Durante quatro meses elas desaparecem. Não são vistas. E então, no primeiro raio de sol do mês de março, como se tivessem combinado ou recebido uma ordem de mobilização, elas aparecem às dezenas nas ruas, com roupas leves e saltos altos. E a vida recomeça.

Uma bela perna é maravilhosa, mas não sou inimigo dos tornozelos grossos. Posso até dizer que me atraem: são a promessa de um alargamento mais harmonioso subindo ao longo da perna. As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos, dando-lhes equilíbrio e harmonia.

Recentemente percebi que no inverno sou atraído por seios grandes. Entretanto, no verão, gosto dos pequenos. Duas pequenas maçãs andando de braços dados. Mas o que têm todas essas mulheres? O que têm a mais do que todas as outras que conheço? Bem, justamente, o que têm a mais é isso: elas ainda me são desconhecidas.

Trecho do filme O Homem que Amava as Mulheres.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Educação vs Repressão

  Não é preciso ser pai para saber o quanto é complicado criar um filho. Eu particularmente tenho uma enorme vontade de ser pai, porém em um momento propício, que no caso não é por agora, e por isso as vezes fico pensando o quanto é complicado gerar e administrar a criação de uma outra vida, um cachorro já é complicado imagine outra pessoa.

  Umas das coisas que mais penso é como encontrar o meio termo entre estar educando e estar reprimindo aquele pequeno ser, é claro que o primeiro passo para uma boa educação é olhar para a pessoa a ser educada, observa-la, precisamos ser ativos na vida dessa pessoa, pensar quais são suas vontades, seus desejos e jamais vestir a carranca de autoridade e dominar a criança na base do Eu mando, o bom senso sempre é bem vindo em qualquer situação. Muitos pais utilizam do autoritarismo para facilitar essa criação, no lugar se deixar a criança ser criança e poda-la quando essa liberdade estiver suficiente, muitos pais apenas mandam, mandam e mandam, Fiquei quieto! Vá para seu quarto! Muito mais simples que entrar na brincadeira de ser criança e deixar essa pessoa ser criativa.

Muitas pessoas tem seu senso artístico descoberto e desenvolvido apenas na vida adulta, quando se vêem livres e podem agir como quiser, podem ousar, podem se atrever a fazer coisas incomuns. As vezes aquele pequeno ser não é encapetado, ele esta apenas sendo criativo, colocando em pratica um senso artístico que possuí de nascença e ser artista é isso, é agitar, é ir na contramão das coisas, é ser diferente, ser atrevido, ser rebelde.

Claro que o excesso de liberdade e falta de autoridade dos pais tem gerados adultos problemáticos e irresponsáveis, porem o excesso de regras e imposições também não é o caminho. O mais correto é ser pai de verdade, entender e observar tendo sensibilidade para notar quando aquela pessoa pequena esta na verdade se mostrando, se conhecendo e não simplesmente desobedecendo.

Por mais que seja complicado, quando colocamos uma criança no mundo, precisamos assumir o papel de pai  e não apenas de repressor autoritário que se ilude achando que desta forma esta educando. Olhem para seus filhos e entendam o que eles tem a dizer e devolvam o equilíbrio de uma boa educação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Paralelas

Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu


Belchior


Quem sabe?

  Sempre após os momentos de alegria, me bate uma tristeza, como se toda aquela alegria e felicidade fossem algo errado, algo a não ser vivido ou algo que, no fundo, eu não gostaria de viver. Mesmo sabendo que é bom, que é saudável, as vezes parece que não é pra mim, sempre foi assim, após as doses de pura alegria alguns momentos de angustia e tristeza, não sei se é o tempo, o sono, o cansaço, a ansiedade para que as coisas aconteçam, as frustrações da vida, essa maldita dor de cabeça ou se tudo junto e ao mesmo tempo, mas as vezes essa tristeza se mostra presente.

  Creio que seja bom, quem gosta de tudo perfeito... Imagine uma perfeita alegria, um perfeito mundo alegre, quem suporta, as vezes queremos mesmo as nuvens negras, a solidão, a carranca e o mal humor. Talvez minha alegria seja apenas superficial, um escudo ou uma máscara escondendo quem eu realmente sou, talvez eu seja essencialmente triste, por que não? Ou quem sabe nem alegre nem triste, talvez seja apenas instável. Quem sabe sejam apenas as mudanças, os acontecimentos e a obrigação de crescer, de colocar as coisas no lugar, precisamos nos responsabilizar pelas nossas ações, nos aprumar. Ou quem sabe precisamos apenas deixar o rio correr... Ou quem sabe nos atirar nessa correnteza sem saber o que vai acontecer... Quem sabe?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cinema - CAPITÃES DA AREIA


Em novembro estreia pela rede Cinemark, o Filme Capitães da Areia baseado no romance de Jorge Amado.

Aguardo ansioso, pois foi após ler este livro que adquiri gosto pela leitura e a muito tempo procurava um filme gravado a muito tempo baseado no livro, nunca encontrei e agora vou poder assistir este novo filme.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Silêncio

  São paulo é uma cidade tão agitada e barulhenta que as vezes quando, sei lá porque, aquele misto de sons misturados (pneu rolando o asfalto, buzinas, vozes, gritos, motores parando, funcionando, acelerando, alguma coisa tombando, porta batendo, janela fechando, alarmes, cão latindo...) para um minuto, saio do transe em que vivo e estranho o silêncio, fico me perguntando o que poderia ter acontecido para a cidade estar nesse silêncio, fico incomodado, não tenho intimidade com essa situação, fico pensando...

  O silêncio insiste começo a aceitá-lo e começa a me dar uma sensação boa, uma tranquilidade e começo a notar que o que percebo não é silêncio, concluo que aqui não há silêncio, silêncio jamais, mesmo que seja tarde da noite... Noto que o que ouço agora são barulhos mais suaves, que não são capazes de se enquadrar no misto de sons e acabam não sendo percebidos, pena que são esses os barulhos mais bonitos, mais gostosos, posso ouvir as pombas armando o vôo, suas assas batendo o ar, o vento, as folhas chacoalhando, não ouço canto de pássaros, creio que não seja a época...

  Sigo me sentindo diferente, uma sensação boa de algo novo, incomum e agradável, o som mais calmo que nesse momento tem a cidade faz com que as pessoas próximas a mim falem mais baixo, com mais calma e mais tranquilas, isso acalma o ambiente... Até que ouço a freada seca, o motorista xinga, o outro grita, o carro de trás acelera para passar, o cão reage a confusão, alguém buzina, o vizinho da frente bate a porta, fecha a janela, as pessoas aqui dentro começam a falar mais alto para serem ouvidas... Assim a paz é interrompida e eu volto ao transe mais uma vez, sem ao menos lembrar que existe silêncio e a falta que ele faz.

O Rappa - Ao Vivo




Estou ouvindo o O Rappa - Ao Vivo, recomendo BOM PRA CARVALHO!!!

"Depois de se reinventarem enquanto banda e renovarem o formato acústico e percorrem todos os quatro cantos do país com a música mais criativa e engajada que já se viu, O Rappa está de volta… Em CD e DVD - O Rappa Ao Vivo. É um show memorável num cenário inusitado, a maior favela do país: A Rocinha Lajes repletas de gente, de verdade e dignidade. A emoção no último grito, de todos os cantos, gerando um "coro-missa" que há muito tempo não se via." (Descrição da Loja Virtual Saraiva)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Perdôo



Perdôo todas as horas que tarde da noite
você acorda e rola na cama procurando por mim
Todas as vezes que aos gritos me manda sair
depois chora e pede pra eu não partir

Perdôo todos os dias que diz me amar
sem ao menos saber o que quer de mim
Todas as vezes que me procura
depois vai embora sem ao menos olhar pra mim

Perdôo todas as madrugadas que me liga
dizendo que não é mulher se não estou em ti
Depois me confunde e me magoa
quando diz que não mais te faço sorrir

Perdôo todas as horas que diz precisar de mim
e em seguida age como se eu não estivesse aqui
Todas as vezes que me olha e me beija
depois diz que nunca me quis assim

Perdôo todas as vezes que diz estar mais viva
depois me nega e afirma que prefere viver sem mim
Todas as vezes que disse ser eu tua maior loucura
depois afirma não querer mais viver assim

Perdôo todas as vezes que pede meu perdão
depois me dá mil motivos para nunca te perdoar, assim...

Wilian Jañez


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mário Quintana


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:

Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Frase de Adélia Prado

“Eu não quero a faca e o queijo,
eu quero a fome”

Por Adélia Prado


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Com licença poética

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Coisas da vida


  Tenho a incrível capacidade de me adaptar ás mais estúpidas situações, e quando num rompante mudo o prumo das "coisas" e transformo a antiga situação em outra "coisa" - desforme e estranha - demoro mais um bocado para a re-adaptação, é nesse momento que parece que as "coisas" não vão andar, que o mundo vai parar no vazio que leva uma "coisa" á outra "coisa".

  O mundo e a vida passam esquisitamente e eu vou caminhando devagar, com medo que a nova "coisa" seja pior que a antiga, dá vontade até de voltar, pedir arrego. Pois bem transição, não vou mostrar a bunda pra você, vou mostrar a cara, aliás, o corpo inteiro, vou mergulhar na mudança com a consciência de que isso também é vida, e que isso também faz parte da "coisa toda".

Danieli Ferreira

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Essencial - Além do Cidadão Kane



Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres - proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial - que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro. - Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989. - Apoio a ditadura militar e censura a artistas, como Chico Buarque que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora. - Criação de mitos culturalmente questionáveis, veiculação de notícias frívolas e alienação humana. - Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira. "Todo brasileiro deveria ver Além do Cidadão Kane"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago 1922 - 2010

  Em uma das sexta-feiras em que a igreja católica comemora o Sagrado Coração de Jesus, morreu o ateísta José de Sousa Saramago ou apenas Saramago. Saramago foi escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português e agora esta definitivamente eternizado na cultura mundial, o homem se vai porém sua arte segue cada vez mais viva.

  Saramago foi poético até no momento de sua morte, faleceu em sua casa, localizada em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, segundo uma nota assinada pela Fundação José Saramago, "o poeta morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".

  Neste caso não direi vá com Deus, direi apenas vá, mas que fique ativo seu legado.


Pensar, pensar
Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.


Essa foi a ultima coisa que Saramago escreveu.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quem é você? (Luz do Sol )


Quem é você?

que do nada surgiu
sem ao menos eu perceber,
roubou meu sorriso
e agora volta
como quem quer devolver.

Quem é você?

que em mim vê tudo belo
sem ao menos me conhecer,
quer estar em meu caminho,
mas não sabe como fazer.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Irã que eu conheci



Por Sonia Bonzi

Depois de ter morado no Irã, minha maneira de ver o mundo mudou bastante. Não acredito em mais nada do que diz a grande mídia.

Quando soube que ia morar em Teerã senti um certo medo, mas aceitei o desafio. Comecei uma busca voraz por informações sobre o país, a cidade, a história, o povo. Depois de tudo que li, decidi que viveria em casa, reclusa, lendo, escrevendo, fazendo crochet, inventando moda...


Parti de Londres pronta para o sacrifício. Teria que conviver com os xiitas radicais, terroristas cruéis, apedrejadores de mulheres, exterminadores de homossexuais, homens-bomba, mulheres oprimidas, cobertas com véus...


Eu estava submetida às leis locais e me seria vedado mostrar cabelos, pernas e braços. Ficar em casa era o que mais me atraia. Vestir um chador para sair me parecia um pouco demais. A caminho de Teerã eu depositava o sucesso da minha estadia nos jardins da casa onde fui morar. Ter aquele espaço me bastaria.


Logo ao sair do aeroporto comecei a ter uma imagem diferente de tudo aquilo que eu tinha lido. Tudo tão bonito, belas estradas, muita luz, viadutos com mosaicos, jardins bem cuidados, gente vendendo flores nos sinais, um engarrafamento sem buzinas, pedestres poderosos cruzando entre os carros, rapaziada de cabelo espetado, mocinhos com camisetas apertadinhas, moças lindas, super produzidas e também muitas mulheres de chador. Parques cheios de gente. Muita criança. Muito pic nic.


Dizem que a primeira impressão é a que vale. Gostei da chegada. Não tive medo. Não vi tanques, cadafalsos, escoltas armadas... Gostei das caras, das montanhas, das casas, das árvores, dos muros, do alfabeto que me tornava analfabeta.


Logo no segundo dia eu já tinha entendido que minha leitura sobre o cotidiano não tinha nada de realidade. Eu não precisava usar chador. Podia sair vestida com uma calça comprida, um camisão de mangas compridas e um lenço na cabeça. Senti-me nos anos 70, quando eu não dispensava um lencinho.


Deixei o jardim de casa e fui conhecer Teerã.


A imprensa e os meios de comunicação do ocidente me deixavam confusa. O que eu lia e ouvia não correspondi ao que eu vivia e via.


Encontro um povo é acolhedor, educado, culto, simpático, que gosta de fazer amigos, que abre as portas de casa para os estrangeiros, gosta de música, de dança, de declamar poesia... Não encontrei os problemas de abastecimento que me informaram haveria. Comprava-se de tudo, inclusive uísque e vodka. Bastava um telefonema.


Os temíveis homens-bomba nunca passaram por lá. Ninguém se explodia. Foi horrível constatar que enforcamentos aconteciam de vez em quando. Apedrejamento de mulher adúltera já não acontecia há 14 anos.


Fiquei amiga de muitos gays, fiz e fui a festas espetaculares, tomei vinho feito em casa, viajei sem escoltas pelo país, visitei amigos em suas casas de campo, de praia, de montanha...


Apaixonei-me pela culinária refinadíssima, morro de saudades das nozes, pistaches, castanhas, avelãs, frutas secas. Não me esqueço dos pães, do iogurte, do suco de romã puro ou com vodka...


Conheci a Pérsia profunda: lagos salgados, desertos salgados, as antigas capitais, segui a "rota da seda", dormi em caravanserais... Sempre assessorada por amigos locais.


Não conheci um iraniano, de nenhuma classe social, que fosse favorável ao regime teocrático instalado no país. Só uma coisa aproxima o povo do governo: o direito à tecnologia nuclear.


A pressão do ocidente fortalece e radicaliza os aiatolás. O povo do Irã não aceita esta interferência mundial. Quem são os ocidentais para dizer a eles o que fazer? Eles não vem o ocidente como um modelo a ser seguido. Eles não acreditam nos governos que já apoiaram
Sadam Hussein numa guerra contra eles. Eles não tem razão para acreditar nas grandes potências. Isto incomoda. Melhor demonizá-los. Eles são acusados de não cumprirem acordos. Quem os acusa também não cumpre.


O domínio da tecnologia nuclear é considerado pelo povo do Irã como um direito deles, que sempre tiveram grandes cientistas, que sempre valorizaram o conhecimento, a medicina de ponta, que querem vender energia nuclear...


O povo iraniano não começa uma guerra há mais de 200 anos. Eles não são belicosos. São diferentes de seus vizinhos. A instabilidade no Oriente Médio não é causada pelo Irã. Apesar da força que a imprensa, os governos, as corporações fazem para denegrir a imagem do Irã, eu confesso que o Irã que eu conheci não é o que é descrito pela mídia ocidental.


Não há favelas em Teerã, não há miseráveis pelas ruas. Minorias tem seus representantes no Congresso, judeus tem seus negócios, suas sinagogas, zoroastrianos tem acesa a chama em seus templos. A família é uma instituição valorizada. Refugiados palestinos e iraquianos são mantidos pelo governo e pelo povo iraniano, que lhes oferece abrigo, alimento e escolas...


Não acredito que ameaças e o uso da força possam melhorar a situação na região. Os iranianos não são os iraquianos. Ser mártir para defender a religião ou a pátria é motivo de júbilo até para as mães.


A negociação, o respeito, a falta de arrogância, as informações corretas são as armas para defender a estabilidade no mundo. Pena que muitos interesses financeiros estejam acima dos sonhos de bem-estar e paz.


A escritora Sonia Bonzi é uma das mais antigas colaboradoras da NovaE, escrevendo do Irã e de vários países do mundo.



É aquilo... Nós sempre estamos ouvindo apenas uma das partes, e sendo assim acabamos por tomar conhecimento do que as lideranças ocidentais acham conveniente nos contar...


Se eles são monstros ou não, eu não sei! O que sei é que os EUA não devem se achar no direito de acabar com o mundo sozinhos... Os cara vivem dando pitacos no que estamos fzd com as nossas florestas e o que eles já fizeram com as deles? Experiência de causa? Sei.. sei...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tipo de pessoa que não gosto

  Se existe um tipo de pessoa que eu não gosto são aquelas de humor imprevisível... Creio que você dever ser chato ou legal, hora um... hora outro não serve.

  Onde trabalho, por exemplo, existe uma pessoa desse tipo. Quando preciso falar com ela nunca sei qual será a reação, hoje essa pessoa veio falar comigo sobre um determinado assunto e foi bem seca e ríspida... 30 minutos depois... fui falar com essa mesma pessoa e ela estava doce e calma ao ponto de me chamar de "meu anjo"... ??? Esse tipo de pessoa me causa medo... rs

  Vou levar em consideração que entre os dois momentos ela almoçou, pode ser que no primeiro momento estava apenas com fome ou quem sabe sofre de bipolaridade.

Minha gente não fiquemos em cima do muro... Defina o que você é...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Umo Sonho - Sérgio Vaz



Enquanto o sonho não acontece vamos vivendo o que a vida nos dá para viver. O sonho ainda não é realidade, porém para não ofender as alegrias que a vida também nos fornece não vou chamar o que vivemos de pesadelo, podemos chamar apenas de consequência de nós mesmos.

A Seta e o Alvo

  Não é segredo pra ninguém o apreço que tenho por boas letras, quando unidas a boas músicas prendem completamente minha atenção.

  Hoje fui dar uma volta no Blog da minha amiga Bel (Mais é Tudo Novo de Novo) e me deparei com um post contendo a letra A Seta e o Alvo de Paulinho Moska e Nilo Romer, não conhecia a música e muito menos a letra, achei a letra caralhastica adorei e durante um surto de inveja resolvi fazer um post igual para compartilhar o conteúdo com vocês... Mentira eu não sofro dessas coisas (inveja)... Lá vai!



Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Paulinho Moska e Nilo Romer