sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sonho de Carnaval

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano

Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade

No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança

Chico Buarque

Um ótimo carnaval a todos...

O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Escrito por Manuel Bandeira no Rio de Janeiro em 27 de dezembro de 1947. 63 anos depois o poema ainda se encontra bem atual, mesmo assim acredito que de alguma forma evoluímos, porém não me recordo em que.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Conselho do dia


É sempre bom ser legal com os outros porque...


...as coisas mudam ao longo do tempo!

Valew Pri!

O Rio

Vira usinas comer
as terras que iam encontrando;
com grandes canaviais
todas as várzeas ocupando.
O canavial é a boca
com que primeiro vão devorando
matas e capoeiras,
pastos e cercados;
com que devoram a terra
onde um homem plantou seu roçado;
depois os poucos metros
onde ele plantou sua casa;
depois o pouco espaço
de que precisa um homem sentado;
depois os sete palmos
onde ele vai ser enterrado.

Trecho do poema O Rio ou Relação da viagem que faz o Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife 1953 de João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Conto Matinal

  Adoro encontrá-la ao despertar do dia com um braço apoiado a pia enquanto o outro se presta ao movimento repetitivo de escovar os dentes, movimento lento que denuncia a preguiça que nos toma pela manhã, e então aberta a torneira posso ouvir o barulho gostoso de água quando cai e com a mão em forma de concha ela acomoda uma quantidade daquela água e leva até a boca, após bochechar ouço o som da água batendo contra a louça da pia depois de ser largada no ar, posso até imaginar o frescor de teu hálito e o beijo manso que segundos após ela vai me dar e em seguida, ao me encontrar solto do teu beijo, mais que depressa vou correndo pro meu canto da casa para eternizar aquele momento nas breves e sutis linhas de um poema.

  E mais tarde quando já me encontro apartado dos demais acontecimentos do dia, sigo em silêncio conduzindo a frenética caneta que sem sentir culpa alguma altera a alvura do papel e sofre para acompanhar a velocidade do meu pensamento que se mostra ansioso em expressar os sentimentos que me foram despertados há pouco. Depois de saciado meu desejo em registrar tudo o que sinto, eu repouso a caneta sobre o papel e noto o aroma de café fresco se espalhar pela casa e dominar meu olfato, assim atiçando instantaneamente meu apetite.

  Ela se mostra a porta do cômodo em que em silêncio eu me guardava e com uma voz doce me convida a mesa, ao entrar na cozinha posso ver cada detalhe da mesa posta, as frutas, os pães, a faca sem ponta repousada sobre a manteiga, a geleia que mais gosto, o jarro de suco de laranja, as fatias de goiabada sobre as fatias de queijo minas, a caneca de leite quente ao lado do jarro de leite frio e tudo isso nada mais é do que uma demonstração de afeto e carinho, talvez com palavras ela não soubesse expressar o que me diz claramente ao me empregar tanto cuidado.

  Tendo o apetite saciado, arrasto os pés da cadeira no piso da cozinha e noto o barulho desse arrastar sobressair ao som do canto dos pássaros, que a essa hora da manhã já se mostram bastante ativos em suas tarefas diárias de passarinho, então a olho sorrindo e saio caminhando até a varanda, paro e observo o quanto bonito esta o ipê amarelo e penso que a cada ano a cor se mostra mais viva e mais bela, e em pensamento lamento o fato da árvore não florescer por todo ano.

  Enquanto penso ela caminha em silêncio como se desejasse me surpreender e sorrateira me toca a nuca com a ponta dos dedos e em seguida se mostra a minha frente, dá um beijo em meu rosto, se acomoda dentro do meu abraço e repousa a cabeça em meu peito fechando os olhos e se entregando a calma e a paz daquele momento.

  E é dessa forma que começam todos os meus dias com ela, do braço apoiado a pia até a tranquilidade do nosso abraço na varanda.

Wilian Jañez

domingo, 7 de fevereiro de 2010

1 Ano de Namoro

Hoje minha namorada, Tiane, e eu completamos um ano de namoro. Um ano de muita alegria e felicidade e após este ano, reconheço que tive minhas convicções alteradas.

Eu acreditei por muito tempo que de uma forte atração nascia uma forte paixão e dessa forte paixão nasceria o amor, mas hoje após um ano com ela, descobri que estava enganado e hoje com toda a certeza de quem se encontra enganado no futuro, eu afirmo que a paixão e o amor são sentimenros distintos que caminhão juntos nessa vida. Hoje após um ano me sinto mais apaixonado por ela do que nunca antes além de ama-lá como jamais amei, amor maduro nas minhas confusões e feliz.

Hoje de Madrugada - Raduan Nassar

O que registro agora aconteceu hoje de madrugada quando a porta do meu quarto de trabalho se abriu mansamente, sem que eu notasse. Ergui um instante os olhos da mesa e encontrei os olhos perdidos da minha mulher. Descalça, entrava aqui feito ladrão. Adivinhei logo seu corpo obsceno debaixo da camisola, assim como a tensão escondida na moleza daqueles seus braços, enérgicos em outros tempos. Assim que entrou, ficou espremida ali ao canto; me olhando. Ela não dizia nada, eu não dizia nada. Senti num momento que minha mulher mal sustentava a cabeça sob o peso de coisas tão misturadas, ela pensando inclusive que .me atrapalhava nessa hora absurda em que raramente trabalho, eu que não trabalhava. Cheguei a pensar que dessa vez ela fosse desabar, mas continuei sem dizer nada, mesmo sabendo que qualquer palavra desprezível poderia quem sabe tranqüilizá-la. De olhos sempre baixos, passei a rabiscar ao verso de uma folha usada, e continuamos os dois quietos: ela acuada ali no canto, os olhos em cima de mim; eu aqui na mesa, meus olhas em cima do papel que eu rabiscava. De permeio, um e outro estalido na madeira do assoalho.

Não me mexi na cadeira quando percebi que minha mulher abandonava o seu canto, não ergui os olhos quando vi sua mão apanhar o bloco de rascunho que tenho entre meus papéis. Foi uma caligrafia rápida e nervosa; foi una frase curta que ela escreveu, me empurrando o bloco todo, sem destacar a folha, para o foco dos meus olhos: "vim em busca de amor" estava escrito, e em cada letra era fácil de ouvir o grito de socorro. Não disse nada, não fiz um movimento, continuei com os olhos pregados na mesa. ?Mas logo pude ver sua mão pegar de novo o bloco e quase em seguida me devolvê-lo aos olhos: "responda" ela tinha escrito mais embaixo numa letra desesperada, era um gemido. Fiquei um tempo sem me mexer, mesmo sabendo que ela sofria, que pedia em súplica, que mendigava afeto. Tentei arrumar (foi um esforço) sua imagem remota, iluminada; provocadoramente altiva, e que agora expunha a nuca a um golpe de misericórdia. E ali, do outro lado da mesa, minha mulher apertava as mãos, e esperava. Interrompi o rabisco e escrevi sem pressa: "não tenho afeto para dar", não cuidando sequer de lhe empurrar o bloco de volta, mas nem foi preciso, sua mão, com a avidez de um bico, se lançou sobre o grão amargo que eu, num desperdício, deixei escapar entre meus dedos. Mantive os olhos baixos, enquanto ela deitava o bloco na mesa com calma e zelo surpreendentes, era assim talvez que ela pensava refazer-se do seu ímpeto.

Não demorou, minha mulher deu a volta na mesa e logo senti sua sombra atrás da cadeira, e suas unhas no dorso do meu pescoço, me roçando as orelhas de passagem, raspando o meu couro, seus dedos trêmulos me entrando pelos cabelos desde a nuca. Sem me virar, subi o braço, fechei minha mão ao alto, retirando sua mão dali como se retirasse um objeto corrompido, mas de repente frio, perdido entre meus cabelos. Desci lentamente nossas mãos até onde chegava o comprimento do seu braço, e foi nessa altura que eu, num gesto claro, abandonei sua mão no ar. A sombra atrás de mim se deslocou, o pano da camisola esboçou um vôo largo, foi num só lance para a janela, tinha até verdade naquela ponta de teatralidade. Mas as venezianas estavam fechadas, ela não tinha o que ver, nem mesmo através das frinchas, a madrugada lá fora ainda ressonava. Espreitei um instante: minha mulher estava de costas, a mão suspensa na boca, mordia os dedos.

Quando ela veio da janela, ficando de novo à minha frente, do outro lado da mesa, não me surpreendi com o laço desfeito do decote, nem com os seios flácidos tristemente expostos, e nem com o traço de demência lhe pervertendo a cara. Retomei o rabisco enquanto ela espalmava as mãos na superfície, e, debaixo da mesa, onde eu tinha os pés descalços na travessa, tampouco me surpreendi com a artimanha do seu pé, tocando com as pontas dos dedos a sola do meu, sondando clandestino minha pele no subsolo. Mais seguro, próspero, devasso, seu pé logo se perdeu sob o pano do meu pijama, se esfregando na densidade dos meus pêlos, subindo afoito, me lambendo a perna feito uma chama. Fiz a tentativa com vagar, seu pé de início se atracou voluntarioso na barra, e brigava, resistia, mas sem pressa me desembaracei dele, recolhendo meus próprios pés que cruzei sob a cadeira. Voltei a erguer os olhos, sua postura, ainda que eloqüente, era de pedra: a cabeça jogada em arremesso para trás, os cabelos escorridos sem tocar as costas, os olhos cerrados; dois frisos úmidos e brilhantes contornando o arco das pálpebras; a boca escancarada, e eu não minto quando digo que não eram os lábios descorados, mas seus dentes é que tremiam.

Numa arrancada súbita, ela se deslocou quase solene em direção à porta; logo freando porém o passo. E parou. Fazemos muitas paradas na vida, mas supondo-se que aquela não fosse uma parada qualquer, não seria fácil descobrir o que teria interrompido o seu andar. Pode ser simplesmente que ela se remetesse então a uma tarefa trivial a ser cumprida quando o dia clareasse. Ou pode ser também que ela não entendesse a progressiva escuridão que se instalava para sempre em sua memória. Não importa que fosse por esse ou aquele motivo, só sei que, passado o instante de suposta reflexão minha mulher, os ombros caídos, deixou o quarto feito sonâmbula.

O ventre seco - Raduan Nassar

  
 1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.

  2. Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.

  3. Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.

  4. E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.

  5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.

  6. Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.

  7. Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.

  8. Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.

  9. Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.

  10. Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.

  11. Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.

  12. No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.

  13. Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.

  14. Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)

  15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".

Salvatore Quasimodo

"Cada um está só no coração da terra
Transpassado por um raio de sol
E de repente é noite"

Sagui-animada-de-cabeça-branca


Essa foto é da mais nova sagui-de-cabeça-branca fêmea do Zoo Boise, no Estado americano de Idaho.

Animada! hein? Parece dizer ao mundo "Cheguei caraio!!!".

Janeiro

  Ok! Voltamos... Após mais de um mês sem postar nada estou de volta, e como primeiro post do ano vou relatar as minhas férias de Janeiro. Primeiramente vou explicar porque estive de férias.

  Meu contrato com a empresa em que trabalho terminou dia 31 de Dezembro e como a elaboração do novo contrato demorou acabei ficando o mês de Janeiro inteiro de férias forçadas e agora sou um funcionário CLT, acredito que será melhor financeiramente, porém não tenho certeza, estou pagando para ver!

  Vamos lá...  A virada de ano passei em Juquitiba - SP, com familiares e minha namorada. Foi da maneira que gosto, em uma chácara sem barulho, bagunça e muito menos tumulto, natureza e paz. Andei de barco a remo, caiaque, joguei baralho, bebi e fiquei de boa com a patroa... Voltei pra capital com as costas ardendo do sol, mas até ai tudo bem.

  Na primeira semana de Janeiro minha garganta inflamou, ai começou meu drama. Inflamação forte, fui até o doutor e ele me receitou um forte antibiótico e disse que após melhorar a inflamação terei as minhas  amigdalas removidas, até o momento isso não aconteceu, ainda tenho 4 bolas. Por causa da infecção tive muita febre, fiquei sem comer e perdi 6 kg, não voltei aos treinos de muay thai e quase morri! rs Mas já estou bom, segui em casa fazendo porra nenhuma nada.

  Dia 22 foi meu aniversário ganhei uma camiseta do Todo poderoso TIMÃO e comemorei na formatura de uma amigo (Luciano Meninão), foi muito bom, nunca havia participado de uma festa daquelas, Open bar, bebemos, bebemos e ficamos mais loucos que o Batman procurando o Robin no meio do Galo da Madrugada (maior bloco de carnaval do mundo), após dançar até lambada, pois assim como não existe mulher feia, também não existe música ruim depende apenas do quanto você bebeu, fomos embora as 6 da manhã do sábado.

  Ás 11 da manhã do mesmo sábado meu pai me acorda para ir em um casamento numa chácara, eu na base da garra levantei e fomos, chegamos lá nos serviram Chops e dois pastel, como a melhor maneira de não ficar de ressaca é se manter bêbado cai para dentro do chop... Bebi, bebi, bebi e fui pra casa... Como o casamento aconteceu em uma chácara a festa durou dois dias, no Domingo voltei para festa e bebi, bebi, bebi...

A noite peguei minha patroa e fomos para Mongaguá - SP, chegamos lá por volta das 23 horas do Domingo e desmaiamos na cama, sem furnicação.

Acordamos na Segunda-Feira e fomos para praia com alguns amigos chegando lá sentei em uma das meses de um quiosque e bebi, bebi, bebi... Fomos embora da praia para casa e chegando lá bebi mais umas latinhas de cerveja e fomos levar os amigos até a rodoviária, essa hora eu já estava BEM engraçado. O ônibus partiu e voltamos para casa, na casa sozinho com minha amada e bêbado eu não parava de lhe dizer o quanto a amava e ela como é uma pessoa muito tranquila que vive a vida numa boa apenas ria e tirava sarro da minha situação, fui para o banheiro e passei mal pra caraio, voltei pra cama e capotei.

Horas depois acordo com a cabeça do tamanho do quarto, mais algums horas eu estava 100% e ai sim a furnicação teve início, porém não vou entrar em detahes!

Na Terça-Feira a tarde voltamos para capital e lembrei porque tanto amo minha cidade, levei mais tempo para ir do Jabaquara até Taboão da Serra do que Mongaguá até Jabaquara, para quem não conhece São Paulo é algo como demorar o dobro do tempo para andar 1/3 do caminho. Mas chegamos em casa.

Curti meus últimos dias de férias e já estou de volta a rotina normal.

E assim aconteceu! Estou de volta... Vivo... Vivo... Vivo como a rocha!