terça-feira, 24 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O menino no buraco do tatu

O menino queria morar no buraco do tatu
A mãe disse que ele era muito grande
para morar no buraco do tatu
Então o menino disse que queria ter o tamanho do tatu
Mas segundo sua mãe
um menino não poderia ter o tamanho do tatu.

O menino seguiu a vida
crescendo cada vez mais
e cada vez mais ficava maior que o tatu
Até que um dia o menino conheceu as palavras
e logo entendeu o poder que só as palavras nos dá.

Nesse mesmo dia o menino ficou do tamanho do tatu,
foi morar no seu buraco
e disse que só sairia do buraco do tatu
quando sentisse vontade de voar como o pardal.

Wilian Jañez

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Menino que Carregava Água na Peneira

Eu tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que o do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira,

com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviço, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos

Manoel de Barros

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Homem que Amava as Mulheres

Trecho do filme O Homem que Amava as Mulheres, muito bom adoro esse tipo de coisa! rs



Para mim não existe nada mais bonito de se ver do que uma mulher andando, desde que com um vestido ou saia que mexa no ritmo de seus passos. Algumas mulheres andam como se tivessem um objetivo; um encontro talvez. Outras apenas passeiam com ar despreocupado. Algumas são tão belas vistas por trás que hesito em ultrapassá-las, temendo ficar decepcionado. Porém, nunca me desaponto. Quando elas não me agradam de frente, me sinto aliviado de certa maneira; pois, infelizmente, não posso ter todas elas.

Milhares delas andam pelas ruas diariamente. Mas quem são todas essas mulheres? Para onde vão? Dirigem-se a algum encontro? Se o coração delas está livre, então seus corpos devem ser pegos, e creio que não tenho o direito de deixar passar essa chance. A verdade é que elas desejam a mesma coisa que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor. Todos os tipos de amor: amor físico, amor sentimental ou simplesmente a ternura desinteressada de alguém que escolheu outro alguém para a vida toda, e não tem olhos para mais ninguém. Não me encontro nessa situação; olho para todas.

Como alguns animais, as mulheres praticam a hibernação. Durante quatro meses elas desaparecem. Não são vistas. E então, no primeiro raio de sol do mês de março, como se tivessem combinado ou recebido uma ordem de mobilização, elas aparecem às dezenas nas ruas, com roupas leves e saltos altos. E a vida recomeça.

Uma bela perna é maravilhosa, mas não sou inimigo dos tornozelos grossos. Posso até dizer que me atraem: são a promessa de um alargamento mais harmonioso subindo ao longo da perna. As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos, dando-lhes equilíbrio e harmonia.

Recentemente percebi que no inverno sou atraído por seios grandes. Entretanto, no verão, gosto dos pequenos. Duas pequenas maçãs andando de braços dados. Mas o que têm todas essas mulheres? O que têm a mais do que todas as outras que conheço? Bem, justamente, o que têm a mais é isso: elas ainda me são desconhecidas.

Trecho do filme O Homem que Amava as Mulheres.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Educação vs Repressão

  Não é preciso ser pai para saber o quanto é complicado criar um filho. Eu particularmente tenho uma enorme vontade de ser pai, porém em um momento propício, que no caso não é por agora, e por isso as vezes fico pensando o quanto é complicado gerar e administrar a criação de uma outra vida, um cachorro já é complicado imagine outra pessoa.

  Umas das coisas que mais penso é como encontrar o meio termo entre estar educando e estar reprimindo aquele pequeno ser, é claro que o primeiro passo para uma boa educação é olhar para a pessoa a ser educada, observa-la, precisamos ser ativos na vida dessa pessoa, pensar quais são suas vontades, seus desejos e jamais vestir a carranca de autoridade e dominar a criança na base do Eu mando, o bom senso sempre é bem vindo em qualquer situação. Muitos pais utilizam do autoritarismo para facilitar essa criação, no lugar se deixar a criança ser criança e poda-la quando essa liberdade estiver suficiente, muitos pais apenas mandam, mandam e mandam, Fiquei quieto! Vá para seu quarto! Muito mais simples que entrar na brincadeira de ser criança e deixar essa pessoa ser criativa.

Muitas pessoas tem seu senso artístico descoberto e desenvolvido apenas na vida adulta, quando se vêem livres e podem agir como quiser, podem ousar, podem se atrever a fazer coisas incomuns. As vezes aquele pequeno ser não é encapetado, ele esta apenas sendo criativo, colocando em pratica um senso artístico que possuí de nascença e ser artista é isso, é agitar, é ir na contramão das coisas, é ser diferente, ser atrevido, ser rebelde.

Claro que o excesso de liberdade e falta de autoridade dos pais tem gerados adultos problemáticos e irresponsáveis, porem o excesso de regras e imposições também não é o caminho. O mais correto é ser pai de verdade, entender e observar tendo sensibilidade para notar quando aquela pessoa pequena esta na verdade se mostrando, se conhecendo e não simplesmente desobedecendo.

Por mais que seja complicado, quando colocamos uma criança no mundo, precisamos assumir o papel de pai  e não apenas de repressor autoritário que se ilude achando que desta forma esta educando. Olhem para seus filhos e entendam o que eles tem a dizer e devolvam o equilíbrio de uma boa educação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Paralelas

Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu


Belchior


Quem sabe?

  Sempre após os momentos de alegria, me bate uma tristeza, como se toda aquela alegria e felicidade fossem algo errado, algo a não ser vivido ou algo que, no fundo, eu não gostaria de viver. Mesmo sabendo que é bom, que é saudável, as vezes parece que não é pra mim, sempre foi assim, após as doses de pura alegria alguns momentos de angustia e tristeza, não sei se é o tempo, o sono, o cansaço, a ansiedade para que as coisas aconteçam, as frustrações da vida, essa maldita dor de cabeça ou se tudo junto e ao mesmo tempo, mas as vezes essa tristeza se mostra presente.

  Creio que seja bom, quem gosta de tudo perfeito... Imagine uma perfeita alegria, um perfeito mundo alegre, quem suporta, as vezes queremos mesmo as nuvens negras, a solidão, a carranca e o mal humor. Talvez minha alegria seja apenas superficial, um escudo ou uma máscara escondendo quem eu realmente sou, talvez eu seja essencialmente triste, por que não? Ou quem sabe nem alegre nem triste, talvez seja apenas instável. Quem sabe sejam apenas as mudanças, os acontecimentos e a obrigação de crescer, de colocar as coisas no lugar, precisamos nos responsabilizar pelas nossas ações, nos aprumar. Ou quem sabe precisamos apenas deixar o rio correr... Ou quem sabe nos atirar nessa correnteza sem saber o que vai acontecer... Quem sabe?