quarta-feira, 12 de março de 2014

Rolezinho, a mosca na sopa

  Muitos criticam o rolezinho, como fosse algo ruim, abominável, inaceitável. Eu discordo! Para mim o rolezinho deve ser contado nos livros de histórias daqui uns anos.

  O rolezinho esta denunciando nossos problemas sociais, porem poucos enxergam dessa forma. Se você parar um pouco para pensar e enxergar além da palavra rolezinho, vai ver que tem muita coisa por trás disso. Claro que não faz sentido um grupo de 500 pessoas ou mais entrarem juntos e de uma só vez em um shopping, mas a questão não é essa, o problema é quem são as pessoas. Se apenas um desses garotos acessar o shopping Vila Olímpia com seu óculos, tênis, meias até o meio da canela, camiseta polo fechada até o pescoço, boné e corrente de ouro, ele não será impedido de entrar, mas pode ter certeza que esse garoto com essas roupas vai provocar uma movimentação da parte da segurança do shopping, será observado, vão buscar saber se estão entrando outros como ele, e isso acontece pois esse lugar não cabe a esse garoto, ele representa uma porcentagem da sociedade que não deveria estar acessando aquele lugar. São as barreiras sociais invisíveis.

  Os rolezinhos inventaram todos os problemas do mundo, antes dos rolezinhos, não havia assalto, arrastão, tumulto e ninguém aprontava nada. O pessoal do rolezinho inventou tudo isso. Qualquer aglomeração de jovens provoca essas coisas, sempre aconteceram nos estádios, shows, nas festas de final de ano e carnaval, isso sempre aconteceu, se sempre aconteceu por que tanta culpa caindo sobre os rolezinhos? O problema é que nos outros casos não há uma definição de classes, nos estádios, shows e festas as classes se misturam, no rolezinho não, no rolezinho fica claro quem esta praticando tal coisa, os pobres marginais, quando digo marginais não falo sobre ser bandido, e sim sobre estar de fora, as margens das coisas.

  Alem disso tem a coisa mais interessante que o pessoal do rolezinho criou, a OSTENTAÇÃO. Antes deles ninguém exibia relógios, bonés, roupas, correntes, tênis, antes deles ninguém sentia o desejo de usar um bom perfume, de ter um carro bom, uma moto boa, tudo invenção dessas pessoas. Só que não! Ostentar é uma das coisas mais antigas do mundo, a questão é quem ostenta.

  Se você parar para pensar e olhar além, vai notar a razão de todo esse alarde sobre a ostentação do pessoal do rolezinho. Todo esse alvoroço acontece pois segundo a classe dos mais abastados, que sempre usou as coisas que essas pessoas agora desejam usar estão respondendo que não cabe a eles usarem, como se não fosse do direito deles usar produtos caros, pois eles são da periferia, são pobres e pobres não usam tais produtos e não frequentam tais lugares. O pobre que anda com um produto bom é olhado torto, como se ele tivesse roubado aquilo, se ele deixou de comer por um mês para comprar um óculos é um direito dele, é uma conduta pouco inteligente, mas não deixa de ser seu direito.

  E já que esta claro a divisão entre classes, vou falar de uma em específico a maravilhosa classe C, por sinal onde me encontro. As pessoas que hoje compõem a classe C melhoraram de vida, hoje compram carro popular e conseguem se livrar do busão, eles bebem whisky e as bebidas da moda, fazem festas, os filhos foram para escolas particulares, eles viajam pela CVC e estudam, fazem graduação e até pós graduação, mãos não é por que estudam que passaram a pensar, é isso mesmo! A grande maioria das pessoas da classe C estudam porem ainda não pensam e por não pensarem sofrem a influencia da forte mídia que pertence aos ricos, por isso que a classe C considera o pessoal do rolezinho vândalos, bandidos, baderneiros e também os desejam as margens das coisas, sem saber que ela não esta distante do pessoal do rolezinho, a classe C não vive bem, vive melhor, compram apertamentos que levarão 30 anos para pagar e por isso já se julgam melhores, mas pode ter certeza que a maioria dessas pessoas não se distanciou tanto quando pensa das periferias e dos pobres, morando muito próximos a classe C moram os da classe D e E, e caso esse bem aventurado cidadão da classe C queira comprar maconha ou pó, a grande parte pode fazer isso a pé, a maioria mora a menos de um quilometro de uma boca de fumo, um quilometro pensando alto.

  Os rolezinhos geram tanto desconforto, pois deixa claro a divisão entre classes e os muitos preconceitos que constam nesse pais. O pobre também ganhou algum poder de compra e não quer mais ficar de fora, quer usar coisa boa, ir a lugares bons, como qualquer outra pessoa e isso esta causando desconforto a quem já usava esses produtos e já frequentava esses lugares, é um choque entre classes. Os ricos querem que os pobres voltem para seu canto e os pobres querem um pedaço do bolo e de preferência com coca cola.