segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cantiga de roda

O tempo não sabe o que é passado, nós sim
O tempo não planeja nada, nós sim
O tempo não tem palavra, remorso ou desejo, nós sim
O tempo não sobe nem desce escada
O tempo não enruga, não sua, não teme
O tempo não sabe nada de nós
O tempo não dança, nós sim.

A roda da ciranda das crianças da primeira manhã
Circula sem saber que vai parar
A ciranda não saber que vai parar
A manhã não sabe que vai parar
As mãos não soltam
O tempo não sabe que vai ficar sem nome
Não sabe que tem nome
Não conta os dias
Não adia nada
O tempo não lembra nem esquece
O tempo não tem destino, nós sim.

Alcides Villaça