domingo, 16 de novembro de 2014

Razão

Na vida tudo possui uma razão, você possui uma razão, eu possuo uma razão. O tempo que se gasta julgando o outro seria mais útil se fosse praticado buscando no outro a sua razão. Assim no tempo seguinte poderíamos ajudar o outro caso necessário ou não havendo razão julga-lo com a certeza do que estamos fazendo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Morrem os poetas, fica a poesia

Hoje tive a prova de que a poesia jamais se acaba, ela é eterna.

Se observarem os arquivos do blog, vão notar que passei seis longos e sofridos meses sem publicar uma linha, mais uma daquelas fases chatas onde ficamos amargos e secos demais para encontrar a menor fagulha que inspiração que faça incendiar em nós um texto, um poema, um pensamento, qualquer coisa que sirva como sinal para sabermos que ainda estamos vivos.

Hoje, dia 13 de novembro de 2014 morreu Manoel de Barros e ao lerem um de seus poemas no noticiário noturno, uma fagulha despertou em mim e inspirado escrevi Morrer menino.

Morrem os poetas, fica a poesia.


O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Manoel de Barros

Morrer menino

Quando nasci não pedi para crescer
Sou vítima do tempo
com sua mania de fazer envelhecer

Hoje tenho dificuldade
em aceitar as coisas do mundo
Não entendo por que tudo deve ser tão certo
quando bastaria ser simples

Há quem queira ser chefe,
astronauta, passarinho,
piloto de caça, bombeiro
médico, jogador de futebol...

Eu só quero ser menino

Há quem nasça pra ser cientista,
advogado, bicho preguiça,
mecânico, construtor,
professor, politico...

Eu nasci para morrer menino.